quinta-feira, 19 de março de 2020

objeto do desejo


objeto do desejo

da hortelã ficaram duas flores
agarradas na gengiva
o gosto inconfundível
do beijo na saliva

não sei mais se tua boca
é o desejo do objeto
ou o objeto do desejo

EuGênio Mallarmè
O Homem Com A Flor Na Boca
www.fulinaimicas.blogspot.com




meu criado mudo
vendi para um porta retrato

cansei de ser concreto
 quero ser mais abstrato

Pastor de Andrade


Estação 353

aqui a gente planta
molha grama
lava pratos roupas  talheres

pra servir nossas mulheres
e ficar bem nesse retrato

Federico Baudelaire
www.federicobaudelaire.blogspot.com

domingo, 15 de março de 2020

linguística linguagem línguas


linguística linguagem

o lixo                                                                       no jornal
teu corpo entre títulos                                         e tintas
tipográficas tudo em cores                                  gráficas
fujifilme fujimore teu corpo em                         ilusões
estéticas  palavrações  a                                       bala
tudo em impressões modernas                          off set
por tudo que o falar não                                       rala
desfruta do meu sangue a                                    massa
desfruta do teu mangue a                                    raça
um filme de fellini e pronto
teu corpo entre o papel da foto
a língua sobrevoa a vala
teu corpo em foto de jornal no lixo
poema quando espanta o olho
do poeta na impressão do bicho

Artur Gomes
do livro Conkretude Versus ConkrEreções
Teresina-PI - 1994


um sol entre montanhas
         em memória de meus irmãos

Eu não queria precisar
de moedas e medalhas.
Eu só queria precisar
de uma vida sem migalhas.
Eu só queria precisar
de uma vida
devida-mente dividida
: uma árvore como casa
(da madeira faz-se a brasa!),
ossos como ferramentas,
folhas e gravetos como teto,
couro de animais com vestimentas
e um filho que me destinasse um neto.
Animal, mineral, vegetal
nunca iam faltar.
Eu só queria um lugar!
Eu só queria um precisar
de mais nada.
 Eu não queria precisar.
Eu só queria precisar...
Além do mundo,
de uma sacada,
além de tudo
e mais nada.

Andri Carvão
do livro Um Sol Para Cada Montanha
CHIADO Books - 2018
 


as traquinagens da poesia
        para dona Nathanna e João Miguel

caminhávamos
                         de mãos dadas
no largo dos tempos verbais
mapeando balbucios encantadoiros
e parastes para
                            amamentar
e pus-me a desenhar versos
recordando
como se o carro das bonitezas
desaguasse nas nossas retinas
e o vagido primeiro
                    ancestral
de repente
viesse abraçar-nos

(se eu entendesse
de gramáticas e dicionários
como entendo de traquinagens
soletraria
                 a ma men tar
devagarinho
                 a mar men tar
bordando uma letrinha
uma letrinha
bem caprichosa
entre a segunda e a terceira
sílaba
          po é ti ca)

Paulo Dantas
do livro A Botija dos Dizer
Alpharrabio Edições - 2018



vinte e cinco de um primeiro ano
de nossa anunciada hecatombe

em lugar da prisão
o desejo do presidente
da empresa assassina
volta ao local do crime
escudado pelo presidente
da nação enlameada

lado a lado

empertigado e lustroso, aquele
como convém a um alto executivo

colete de caçador amarfanhado, este
como convém ao mais alto dignatário
perdido na floresta de trapalhadas
da república federativa do brasil

sobrevoam
a lama, a lama, a lama,
após os lucros retirados
resta a lama/rejeito devolvido
em conluio, derramada
sobre os rejeitos humanos
acusados de prejuízo

sobrevoam e calam
pelo tuiter, prometem
mudam o discurso
mentem

a lama que tudo oculta
está longe de ser metáfora
lama língua linguagem
silêncio que diz
dos corpos sem nome
mortos, que o protocolo
chama de(¿) desaparecidos

os que não morreram
ficam sem nada
são nada
servem apenas de espetáculo
motivo/lenitivo
para a caridade de ocasião

amanhã todos
mortos e mortos vivos
não passarão de meras estatísticas

brumadinho
bruma indício
do fracasso
da ex-terra brasílis
e de sua falência humana

Dalila Teles Veras
do livro tempo em fúria
Alpharrabio Edições - 2019


ESSÊNCIA
para Olga Savary

Não me traga de volta o que sequer perdi.
Antes pergunte pelo que vejo e passo,
quando me virem no que não vi
do que se traduz no que (me) faço.

Enquanto traço noite e dia,
é que encontro no furacão o olho em furo,
pelo que sei de tanta travessia
- viagem que trespassa gozo e apuro.

No que se perde em breu e magia,
o poema se abre e me anuncia.

Amélia Alves
do livro No Reverso do Viés
Ibis Libris - 2015




mini conto - a faca

poesia não é manchete de jornal para espremer escorrer sangue o poema pode ser facada sim que entra mas não sangra como aquela em Juiz de Fora que até agora ninguém me explicou o melodrama estava li e não vi Adélio no curral do tal comício palanque armado para fazer do brasil um precipício

Gigi Mocidade
Rainda da Bateria
da Mocidade Independente de Padre Olivácio - A Escola de Samba Oculta no Inconsciente Coletivo

Fulinaíma MultiProjetos
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domingo, 9 de fevereiro de 2020

a poesia fulinaímica de Artur Gomes em Mallarmargens



A poesia Fulinaímica
 de Artur Gomes 
em Mallarmargens


"um poema mallarmaico
satírico lírico hebraico
onde voz nenhuma me alcance
um lance de dedos nos dados
uns dados de dedos no lance"

leia mais:


Amanda Vital


holocausto

quem se alimenta
dessa dor
desse horror
desse holocausto

desse país em ruínas
da exploração dessas minas
defloração desse cabaço

quem avalisa o des(governo)
simboliza esse fracasso?


fulinaíma
é pau é  pedra
punção na rima
punk rock

em São Paulo as pedras quando roam pelos céus de nossas bocas meu irmão fulinaíma azeita o caldo da mistura para fazer o que não jazz ainda soul fulinaíma  é punk rock dançando fado em bossa nova feito blues para pintar a pele branca de vermelho e re-pintar a pele preta de azuis

Federico Baudelaire

FULINAIMAGEM

mais breve que
                      ponteiros de relógios
o amor roeu os ossos
comeu a cartilagem
                  da linguagem dos negócios

minha vida de cachorro
não está pra peixe inteligente
tenho chorado
                         as mortes que não tive
                         o morto que ainda vive

tem gente que aterroriza
minha pobre paciência
                        tamanha a indecência
dos seus discursos de bestas
da sua língua de bosta

Artur Gomes
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sábado, 1 de fevereiro de 2020

Zeus me livre



Zeus me livre

Zeus me livre
dessa trágica comédia brasiliense
prefiro o nonsense - a patafísica
o teatro do absurdo de Ionesco, Arrabal
Fando e Liz, A Cantora Careca
As Cadeiras, A lição, Rinoceronte

As Mortes do Tanussi
me removem cicatrizes
como dias mais felizes¿
se Belo Horizonte chora
a morte de 56 mineiros
e o Espírito Santo também chora
os corpos soterrados pela lama
essa tragédia social

os 270 mortos em Brumadinho
mostram que no brazyl
há muita lama no meio do caminho

Artur Gomes
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sábado, 4 de janeiro de 2020

poéticas



Poética 57

toda vez que escrevo
é nela que penso
tranquilo ou tenso
a palavra cria direção
para o sol ou vento
para o mar ou terra
ou mesmo ao infinito
silêncio ou grito
palavra liberdade
enxada foice faca facão
poema fogo
nesse corpo brasa
águia nas montanhas
admirando o chão

Artur Fulinaíma


teatro do absurdo
eu faço
com minha língua foice
com os meus dedos facas
com minha carne barro
e
tiro um sarro
da tua cara de vaca
desse seu corpo de morte
desse seus olhos de marte
dessa sua realidade
faço o meu surrealismo
na construção da minha Arte

Artur Fulinaíma



travessura

hoje não estou
pra qualquer trampo
trepo nas tripas do vento
nem que seja pensamento
vou pra Curitiba
encontrar o Hélio Letes
a minha cara metade
minha face mais a vera
metade da minha cara
poesia é o  salto de uma vara
ou o auto de uma fera

Federico Baudelaire



Júlia

Júlia poderia ter sido
a face completa do f
a outra face do s
se soubesse o que significa
ler um livro de Herman Hesse

Federico Baudelaire




viagem
enquanto puder
pego esse trem de ferro
sem choro sem berro
e vou
onde as asas do vento
me levar
pernambuco ceará
será rio sampa mar
Xangô Yemanjá
pedra - águas de mel e sal
meu bem meu mal
levo pra me entregar no carnaval

Artur Gomes


quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

poética 58



poética 58

se a negritude ameríndia
do meu canto
lhe causa desconforto
insana criatura
não se assuste com essa química
isso se chama Sagaranagens Fulinaímicas
meu girassol de metáforas
meu caldeirão de misturas

Artur Gomes
Fulinaíma MultiProjetos

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domingo, 1 de dezembro de 2019

poesia proibida



Poesia Proibida

é um curta de Jiddu Saldanha em parceria com Artur Gomes, para o seu projeto Cinema Possível. A parceria dos dois começou em 2007, quando  Artur Gomes voltou de Brasília com uma pequena câmera cannon de 5 mega pixels comprada numa feira na periferia do distrito federal. A partir daí começaram os delírios audiovisuais dessa parceria inusitada.

Poesia Proibida começou a ser filmado em Cabo Frio, naquele mesmo ano de 2007, e as primeiras aventuras  da dupla: mímico/poeta foram podemos assim dizer hilárias, que já assistiu os delírios em TROPICALIRISMO  sabe do que estou falando. Poesia Proibida, tem cenas filmadas em Cabo Frio, Lapa, e Parque das Ruínas, num domingo de Rock e Poesia, com diversas participações inusitadas de Fil Buc (filho de Artur Gomes), Hilda Cequeira, May Pasquetti, Marisa Vieira, Margareth Bravo e muitas outras.

O título : Poesia Proibida, com certeza vem do poema Carne Proibida, do livro Suor & Cio de 1985, um dos poemas de Artur Gomes, que Jiddu Saldanha gosta de falar. O Proibido na obra poética de Artur Gomes, vem desde a décadas de 70/80 quando ainda linotipista na então Escola Técnica Federal de Campos, teve diversas de suas peças proibidas de ser encenadas com os estudantes  da ETFC que ele cooptava para o início da sua trajetória com  Teatro.

Carne Proibida

o preço atual
proíbes que me comas
mas pra ti estou de graça
pra ti não tenho preço
sou eu quem me ofereço
a ti: músculo & osso
leva-me à boca
e completa do teu almoço

do livro Suor & Cio
MVPB Edições 1985

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