sexta-feira, 28 de outubro de 2011

leveza

isadora zeccinh - musa da minha cannon

 o poema as vezes é sabre
lâmina fina como o vento
ou folhas suspensas
sobre um verde
quase água
quase pluma
levita sobrevoa se espraia
na voragem do dia
como os dedos da moça
ao atiçar o clic
no instante exato da fotografia

arturgomes

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

artur gomes e dizzy ragga

foto: helo landin

Artur Gomes e Dizzy Ragga
ReVirando a Tropicália
Dias 26 e 27 outubro – 19:00h
Espaço Plural – Sesc Campos
Entrada franca


fulinaimagem

1

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais
e essa lua mansa fosse faca
a afiar os verso que ainda não fiz
e as brigas de amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto
que a argamassa do abstrato

por enquanto
vou te amar assim admirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos

2

o que trago embaixo as solas dos sapatos
bagana acesa sobra o cigarro é sarro
dentro do carro
ainda ouço jimmi hendrix quando quero
dancei bolero sampleando rock and roll
pra colher lírios há que se por o pé na lama
a seda pura foto síntese do papel
tem flor de lótus nos bordéis copacabana
procuro um mix da guitarra de santana
com os  espinhos da Rosa de Noel




 black billy

ela tinha um jeito gal
fatal – vapor barato
toda vez que me trepava as unhas
como um gato
cantar era seu dom
chegava a dominar a voz
feito cigarra cigana ébria
vomitando doses dos eu cnto
uma vez só subiu ao palco
estrela no hotel das prateleiras
companheira de ratos
na pele de insetos
praticando a luz incerta
no auge do apogeu
a morte não é muito mais
que um plug elétrico
um grito de guitarra uma centelha
logo assim que ela começa
algo se espelha
na carne inicial de quem morreu

arturgomes


terça-feira, 18 de outubro de 2011

visões periféricas



Sobre o Festival 2011

Visões Periféricas – todo mundo tem a sua

O Festival Visões Periféricas comemora cinco anos. Não se trata simplesmente de um evento dedicado a exibição de filmes. O Visões Periféricas nasceu sob o signo das muitas mudanças que o Brasil e o mundo viveram nos últimos 15 anos, transformações econômicas, sociais, estéticas...Está localizado em uma época, um tempo. O audiovisual que vem das periferias brasileiras surge à margem dos circuitos formais da economia, da arte, da comunicação; e cria suas próprias lógicas de circulação cultural.

Um dado Brasil que até então ouvia falar de si como uma abstração, um conceito - ora proclamado pelos intelectuais da academia, ora comunicado pela grande mídia - vai aprendendo a usar a tecnologia para falar de si e para quem quiser ouvir. É um audiovisual muito falado. Isso é perceptível nos filmes que chegam ao Visões Periféricas. E como poderia ser diferente? A tecnologia que permite a produção e difusão audiovisual a custos cada vez mais acessíveis encontra um Brasil que tem forte tradição oral. Esse Brasil está circulando a velocidade dos bytes pelas redes sociais da internet, imprimindo seu próprio jeito ou “jeitos” de comunicar. Falamos em “jeitos” porque não se pode colocar essa periferia dentro de um mesmo saco, sem reconhecer as diferenças entre as regiões, entre suas expressões culturais. Essa não é uma periferia que pode ser confortavelmente reduzida a conceitos econômicos ou sociais uniformizantes.

Ultimamente têm se falado muito da nova classe média brasileira, da ascensão econômica de milhões de brasileiros, do aumento do poder de consumo nas classes C e D, mas não se fala desses milhões de brasileiros enquanto portadores e criadores de estéticas próprias. Essa palavra do grego - aisthésis - entre outros significados possui o sentido de percepção, sensação...estética, como resultado de uma percepção singular do mundo, como um sentimento particular da vida.

Podemos dizer que essa compreensão da estética é que orienta a curadoria de filmes do Visões Periféricas. Hoje o festival possui exibição em sala de cinema e na internet. Não importa se o filme é feito com um celular ou uma câmera digital profissional de última geração. Se ele tem um trabalho de quadro mais contemplativo ou se é feito com uma profusão de depoimentos falados. Importa que nele se perceba uma potência de vida, de criação, e que ofereça uma visão que possa construir junto aos demais filmes da curadoria, novos conceitos sobre a periferia.

Aqui cabe ressaltar um outro aspecto do festival que faz dele um grande laboratório não só estético como social. Nesta edição recebemos cerca de 600 inscrições e pudemos constatar com satisfação que elas vêm de todos os Estados brasileiros e de realizadores com trajetórias de vida as mais diferentes possíveis, inclusive de quem não se encaixaria em uma noção tradicional de periferia, criada a partir de um espaço geográfico ou de uma classe econômica. Esses filmes e seus realizadores também têm presença garantida no festival. A ideia é que a partir do encontro entre todos eles com histórias e origens diferentes se forme uma rede de contatos que ajude a romper os preconceitos sobre a periferia e permita uma circulação permanente de sentido sobre ela. Dos 106 filmes exibidos, 70 são inéditos no Rio de Janeiro. Isso é motivo de orgulho e demonstra a importância que o festival assume no cenário audiovisual brasileiro e carioca.

Não estranhe se você for ao festival e acompanhar em uma mesma sessão o debate de realizadores vindos de uma comunidade indígena, da favela e de um bairro de classe média alta do Rio de Janeiro. É justamente esse estranhamento que buscamos ano após ano, o que nem sempre torna fácil a compreensão do que é o Festival Visões Periféricas. Mas acreditamos que esse é um estranhamento a que estamos cada vez mais sujeitos e, diríamos mais, um estranhamento necessário para que nos percebamos cada vez mais como sujeitos pertencentes a uma comunidade global, cidadãos do mundo.

O Festival Visões Periféricas 2011 (5ª edição) - Audiovisual, Educação e Tecnologias é organizado, desde 2008,  pela Associação Imaginário Digital (www.imaginariodigital.org.br) e irá acontecer de 19 a 26 de outubro no Oi Futuro em Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 54 - metrô Gal. Osório) e no Centro Cultural Justiça Federal (Av. Rio Branco 241 - metrô Cinelândia), na cidade do Rio de Janeiro (RJ). A entrada é franca.

Todos e todas estão convidados!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Dani Rauen - Qualquer Lá



Dani Rauen,  lançou no dia 1 de outubro com um magnífico show no Teatro Renascença em Porto Alegre, o seu mais novo CD Qualquer Lá. Vocalista há uma década da banda de rock Suco Elétrico, em Qualquer Lá, Dani se re-Inventa com um repertório primoroso, onde pode explorar intensamente a sua bela voz nas 12 faixas que compõem o disco.
Dani Rauen, descobriu que sabia cantar no choveiro e revelou sua voz num show de calouros na escola em 1982, quando cantou “A Guerra dos Meninos” de Roberto Carlos quando tinha 8 anos. Estudou piano dos 8 aos 22. Com a banda Suco Elétrico percorreu estradas, muito rock, festivais, abriu shows dos Mutantes, MTV, um disco oficial, disco novo em produção. E agora em Qualquer Lá se aventura numacarreira solo.

Para saber mais sobre e ouvir o CD entre no site www.danirauen.com.br

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

artur gomes - reVirando a Tropicália


Sesc Rio Apresenta:

Artur Gomes ReVirando a Tropicália
participação especial do Rapper Dizzy Ragga
Dias 26 e 27 outubro – 19:00h
Local: Espaço Plural – Sesc Campos
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Janelas abertas número 2

Sim, eu poderia abrir as portas que dão pra dentro 
Percorrer correndo os corredores em silêncio 
Perder as paredes aparentes do edifício 
Penetrar no labirinto
O labirinto de labirintos 
Dentro do apartamento 
Sim, eu poderia procurar por dentro a casa 
Cruzar uma por uma as sete portas, as sete moradas
Na sala receber o beijo frio em minha boca
Beijo de uma deusa morta
Deus morto, 
fêmea de língua gelada Língua gelada como nada
Sim,  eu poderia em cada quarto rever a mobília 
Em cada uma matar um membro da família
Até que a plenitude e a morte coincidissem um dia
 O que aconteceria de qualquer jeito 
Mas eu prefiro abrir as janelas prá que 
entrem todos os insetos

Caetano Veloso

Cogito

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.

Andar Andei


não é o meu país
é uma sombra que pende
concreta
do meu nariz
em linha reta
não é minha cidade
é um sistema que invento
me transforma
e que acrescento
à minha idade
nem é o nosso amor
é a memória que suja
a história
que enferruja
o que passou
não é você
nem sou mais eu
adeus meu bem
(adeus adeus)
você mudou
mudei também
adeus amor

adeus e vem

Mamãe, mamãe não chore 

A vida é assim mesmo eu fui embora 
Mamãe, mamãe não chore 
Eu nunca mais vou voltar por aí 
Mamãe, mamãe não chore 
A vida é assim mesmo eu quero mesmo é isto aqui 
Mamãe, mamãe não chore 
Pegue uns panos pra lavar, leia um romance 
Veja as contas do mercado, pague as prestações 
Ser mãe é desdobrar fibra por fibra os corações dos filhos 
Seja feliz, seja feliz 
Mamãe, mamãe não chore 
Eu quero, eu posso, eu quis, eu fiz, Mamãe, seja feliz 
Mamãe, mamãe não chore 
Não chore nunca mais, não adianta eu tenho um beijo preso na garganta 
Eu tenho um jeito de quem não se espanta (Braço de ouro vale 10 milhões) 
Eu tenho corações fora peito 
Mamãe, não chore, não tem jeito 
Pegue uns panos pra lavar leia um romance 
Leia "Elzira, a morta virgem", "O Grande Industrial" 
Eu por aqui vou indo muito bem , de vez em quando brinco Carnaval 
E vou vivendo assim: felicidade na cidade que eu plantei pra mim 
E que não tem mais fim, não tem mais fim, não tem mais fim

Torquato Neto


funk dance funk

a noite inteira invento joplin na fagulha
jorrando cocker na fornalha
funkrEreção fel fala
fábio parada de Lucas é logo ali
trilhando os trilhos centrais do braZil.
rajadas de sons cortando os ínfimos
poemas sonoros foram feitos para os íntimos
conkretude versus conkrEreção
relâmpagos no coice do coração.
quando ela canta eleonora de lennon
lilibay sequestra a banda no castelo de areia
quando ela toca o esqueleto de Lorca
salta do som em movimento enquanto houver
e federika ensaia o passo que aprendeu com mallarmé
punkrEreção pancada onde estão nossos negrumes?
nunkrEreção negróide nada.
descubro o irado Tião Nunes
para o banquete desta zorra
e vou buscar em Madureira
a Fina Flor do Pau Pereira.
antes que barro vire borra
antes que festa vire forra
antes que marte vire morra
antes que esperma vire porra,
ó baby a vida é gume
ó mather a vida é lume
ó lady a vida é life!